Monday, October 15, 2012

Os bandidos encarcerados
loucos de uma fatalidade
perder o faro na noite
enterrar-se na normose
do dia.

Saturday, September 22, 2012


Tomei a liberdade de publicar aqui essa linda "garafunha" do amigo Artur Vargas Giorgi.

Carência.
número 11
Rato é bicho sorrateiro
rato, ratazana, camundongo
contemplar a beleza de sua
morte.
Cor: preto 
Elemento: água
[As pessoas do signo de Rato são ativas e inteligentes, adoram as boas coisas da vida e gostam muito do dinheiro que propicia isso a elas. Alguns acham que o Rato é oportunista e interesseiro mas, se analisarmos profundamente sua personalidade, isso não é verdade. Essas pessoas vêem seus amigos e relacionamentos em geral como um meio de se alcançar um objetivo. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, principalmente se dá algo em troca, coisa que o Rato faz. Além disso, são muito sociáveis e ótimos negociadores, com muito talento para ganhar dinheiro. Outro aspecto marcante das pessoas do signo de Rato é sua preocupação com sua privacidade, elas não gostam de se sentir invadidas e encurraladas. Um aspecto negativo da personalidade do Rato é a dificuldade que tem em relaxar, já que está sempre procurando alguma coisa para fazer. Isso provoca um grande sentimento de auto-crítica que pode, ao mesmo tempo, ser sua motivação e sua frustração.]
Me vejo no rato, todos somos um pouco ratos.

Tuesday, September 18, 2012

Ah! os prazeres da lama....
E o velho Drummond escreveu num dia de 1992:
(...)
e as aberturas do corpo, abismos lexicais onde se restaura
a face intemporal de Eros,
na exaltação de erecta divindade
em seus templos cavernames de desde o começo das eras
quando cinza e vergonha ainda não haviam corroído a inocência de viver.

Amor Natural

Friday, September 14, 2012

ela entra porta a dentro com aqueles olhinhos de vento
faz minha boca sorrir involuntariamente

ela fala tudo através daqueles olhos domesticados
que guardam no fundo toda força do instinto

faz o mesmo que todos os outro bichos
vive...
assim, despreocupadamente uma vida
de bicho... boa para mim

as vezes até, esperta de mais.

Friday, December 09, 2011

para não passar em branco

escrever uma linha que seja
nesta tela branca, branquíssima...
é tempo de sol
e bronzear a página
com café
por acaso
se é que ele existe.
Cerejas?
sim, elas são
lindas e desejáveis
tanto quanto uma
boa palavra.

Thursday, December 23, 2010

Quizumba de poemas cósmicos/
uma voz do espaço/
de onde o poeta/
pode acessar todos os/
nomes já pronunciados/
todas as ideias que pairam/
no espaço/
formando combinações numerológicas/
infinitas./
Formato música/
todos os deuses/
todos os pratos exóticos/
Os bandidos encarcerados
loucos de uma fatalidade
perder o faro na noite
enterrar-se na normose
do dia.

Monday, November 22, 2010

uma tradução

Swamp left overs

inside the apartment

a modern ingredient

has sprouted

a tree of

frogs

in the ripe

frog's mouth

yellow or

yellowish, whatever

couldn't see

a rocket

nor even

placed in these lists

of trees

of extinction beasts

doubt gender 'wanna

pee?, he thinks

oh, the

frog chews

an insect which's also in

the list

complains of

heartburn of

the woman of

NGO and of

the upstairs'

noise that's

not letting

him concentrate

:

a ping-pong ball

self-

sufficient

seems to -

bounce

bounce

bounce

bounce

bounce

bounce

bounce

bounce

and

bang the minutes

one by one, this distance from

the other

Titulo original: "Restos do Pântano" Demétrio Panarotto

Thursday, October 07, 2010

Ensaio para uma pequena segueira

os olhos abrindo aos poucos...
não vejo nada ainda.

Será que verei amanhã?

Nos jardins de Adônis

engarrafados na embriaguês da manhã
(uma manhã qualquer que se arrasta preguiçosa desde a noite)
os olhinhos dela
atravessando os sonhos
e o membro dele atravessa

É o choque dos corpos que aletriza
as asas da borboleta gigante
e Safo escreveu:

"Olho-te por uns instante e, então, não posso mais falar;
minha língua serpenteia e, logo, um fogo percorre minha
carne. Nada vejo com meus olhos, meus ouvidos zum-
bem, o suor poreja, um temor me assalta, fico mais verde
que a grama e parece que estou morrendo um pouco."
é isso. Os sapos entraram em extinção. Também as rãs e pererecas.
fomos pegos na armadilha de dentes de ferro
das nações punhos cerrados com ouro nos olhos
falácias são nauseabundas.

Só a ficção salva.

Thursday, April 02, 2009

agora eu


Sou gota de lava
Me derramando sobre
Teu corpo faminto
Sou explosão luminosa
Quando aperta os olhos
Pelo breu
Sou todo o amor desse
Mundo escorregando
Para teu dentro
Mimosa hostilis, belladona, peiote
Completa Máquina Sensível
Vamos explodir
Pelos ares musicais
Esta noite

Tutela Mercurii

Roberto Piva entra porta adentro com a doce ronquidão de sua voz aveludada
Declamando as alucinações que nunca pude recitar

Canto do Xamã Vento
Lá da última montanha fronteiriça veio rasgando o Silencio
Voa condor carniceiro voa cobra voa puma tríade da profanação

Fruta amassada ao pé d’ouvido Chocalho de acordar deuses
Vem Biringo balançando o olhar de felicidade persegue
Mariposa alvoroçada

Vamos todos à praia fazer fogueira
Beber o mar por completo
E encontrar a lua no fundo do copo levadiço de nossa consciência

Não cabemos mais no mundo Roberto!
Eu não caibo mais aqui.

Muito obrigada Roberto Piva
Miss miss iss iss is is something some thing thing going going going gal gal galaxy yellow widow witch harrowing gush hexed delightful light to oak knock ock ock ock kiss severe err erudite trip pervade the echo ho ho ho ho..... offsprings succumb because used devil leaking goblet let let me go now ow owl.... howl
Umbrella for the pain.

Monday, March 23, 2009

ratos

quero escrever em preto e branco
um clássico
sem palavras
frames acelerados
corrida de ratos que sabem
todos os caminhos
para fugir da
inquisição
da ratoeira
Fogo já sem chamas
eterno estômago do Dia
tudo engole
tudo vomita

Sunday, March 15, 2009

o telefone

Andy Warhol tinha um telefone para falar com Deus
mas deu de presente para um cara mais famoso.
O número é 0123456789, em quaquer ordem.
O que se atreve ao infinito
o que se abre para uma possibilidade extra, estranha, exterior...
talvez fale com Ele...

Wednesday, April 16, 2008

A mi me gusta cuando estas lejos para amarte desde mi corazón
que es donde vives ahora.
Te siento en mi piel por el olor que se quedó.
Me abandono en tu mirada que es donde quiero morir.
Ahi está el todo te ti en el todo de mi.

Sunday, September 30, 2007

DO ABJETO À BELEZA NA FOTOGRAFIA DE JOEL-PETER WITKIN


Joel-Peter Witkin

“(...) the relation of the Other to me would tend to appear as sadomasochistic, if it did not cause us to fall prematurely out of the world – the one region where “normal” and “anormaly” have meaning.”
Maurice Blanchot
The writing of the disaster


Fotografia, momento eternizado, cristalizado pela lente e pela luz da modernidade. O flash na essência efêmera de um sorriso, de uma lágrima, de uma tragédia, desenha uma trajetória utilitária, com a fotografia de propaganda e popularização política, ou humanística, transformando-se em objeto artístico e pessoal. Imagens que acabaram tornando-se arquivo histórico, referências para a arte contemporânea. Desde o séc. XIX tem-se desenvolvido esta estranha tecnologia de reproduzir as imagens tal qual vemos pela entrada de luz por um pequeno orifício numa caixa preta. O que não cessa jamais de evoluir. Hoje parece que a fotografia impressa virou artigo de galeria. O álbum como nossas mães faziam, ficou como recordação de décadas passadas, digitalizado para que não seja comido pelas traças. Representar virou obsessão. Como diz Márcio Seligmann-Silva “queremos registrar o instantâneo do grito, registrar o temor visceral, o frio na espinha, nosso grito de horror primevo”. Em nossa cultura de traumas e recalques, a fotografia passa a ser concebida como um “traço do real” e não mais como a definição de espelho do real, ou por uma ótica romântica, como transformação do real.
Mais do que falar de fotografia, quero falar de suas provocações. Como a escritura, a fotografia não se configura na ingenuidade, e se se configurou, foi material somente de álbum de família. Ela vai de encontro certeiro exatamente no ponto visceral do recalque. Desde querer dizer alguma coisa, ou denunciar crueldades, provocar tumultos e revoltas até reproduzir a imagem pela imagem, experimentos com a própria fotografia como obra de arte, esta técnica muito se transformou carregando o olhar do expectador de um solo inundado de signos até o sertão completo da abstração.
Uma das fotografias que mais me provocou nos últimos tempos foi esta:


O Beijo (1982)

Primeiro a fotografia, depois o fotógrafo me ajudaram a pensar em questões como o abjeto, a beleza do horror, e o corpo como material para a obra de arte. Não se trata mais de usar o corpo como referência, como performance, a action painting de Jackson Pollock, a body art tribal ou dos estúdios de tatuagem contemporâneos, é o corpo material. Nada de tela, tinta, madeira ou bronze. É o corpo. “A base sobre a qual se desenvolveu e se assenta o discurso simbólico da linguagem” (como diz KRISTEVA 1980: 87 apud SELIGMANN-SILVA) O corpo abandonado, mutilado, estranho aos olhos de quem vê beleza no padrão comum, o bizarro.
O fotógrafo nova iorquino, nascido em 1939 de pais religiosos, utiliza cadáveres e pessoas com anomalias como manequins de suas composições. Para Julia Kristeva o “cadáver, que vem do latim cadere, cair, tornou-se irremediavelmente uma queda, é dejeto, é morte; ele perturba mesmo aquele que confronta sua fragilidade e flacidez”, “é a poluição fundamental; um corpo sem alma” (KRISTEVA, 1982:3 & KRISTEVA apud Seligmann-Silva, 2005:39). O fotógrafo prefere o que se chama de feio e repugnante, e o cadáver, manifestação privilegiada do abjeto. Apresentado em estética mórbida, elucida a dicotomia horror X beleza; o paradoxo da morte, em pedaços, em fluidos que ultrapassam a barreira frágil da vida no corpo, lábios cinzas e coroa de flores em plena cor.

Harvest - Death Mask 1986

Neste trabalho de 1986, a máscara da morte adornada de raízes, folhas e frutos compõe no cocar de um índio uma natureza morta, estudo de trânsito livre dentre artistas como Cézanne, Van Gogh, Caravaggio, Miró, entre outros, que Witkin repete adicionando a representação própria da morte. O corpo em pedaços.

Still life

Já não bastasse o corpo abjeto cadavérico, ainda estilhaçado transportado para onde ao certo não estaria, torna-se objeto de beleza e perplexidade.
A beleza para Lyotard ( no ensaio The Inhuman), demanda mais do que somente respeitar as regras de composição, ela requer um “algo a mais” anterior, também chamado de gênio ou algo incompreensível e inexplicável, um presente de Deus, um fenômeno fundamentalmente escondido que pode ser reconhecido somente pelo efeito naquele a quem se endereça.
Tal beleza se apresenta ao menino que vê os úmidos olhos de uma recém morte, a vida numa cabeça decapitada. Talvez tenha sido esta a imagem emblemática que povoou o imaginário de Witkin desde que viu a cabeça de uma grota rolar aos seus pés após um acidente em frente à porta de casa.



Cito o próprio: “aconteceu num Domingo quando minha mãe estava acompanhando meu irmão gêmeo e eu para fora do apartamento onde morávamos. Estávamos indo à igreja. Enquanto descíamos o hall até a saída do prédio, ouvimos uma inacreditável colisão misturada com gritos e chamados por socorro. O acidente envolveu três carros, cada qual com uma família. De algum modo, na confusão eu não estava mais segurando a mão da minha mãe. No lugar onde eu estava, pude ver algo rolando de uma da fendas dos carros. Aquilo parou no meio-fio à frente dos meus pés. Era a cabeça de uma garotinha. Eu me abaixei para toca-la, para falar com ela, mas antes que eu pudesse toca-la alguém me tirou dali.”

O rosto da garotinha, ainda quase viva, ali aos pés de outra criança pode ter-lhe parecido curioso e até belo. Atrevo-me a dizer que nesta experiência do abjeto, Witkin assegura cuidadosa e paradoxalmente a beleza. Para Julia Kristeva: “não é a falta de limpeza ou saúde que causa o sentimento de abjeto, mas o que incomoda identidade, sistema, ordem. O que não respeita fronteiras, posições e regras” (Powers of Horror, 1982). Transgressor? Pode ser, mas sem militantismo piegas. É a arte do horror em busca do prazer da beleza.

Interrupted reading in Paris, 1999

Beleza e prazer. Aristóteles já dizia que temos prazer em contemplar a representação de cadáveres e bichos desprezíveis, e é neste prazer onde a obra de Witkin opera e move-nos a sentir o pavor, o sublime sensualista de que fala Burke. Diz ele que, cito: “tudo que seja de algum modo capaz de incitar as idéias de dor e de perigo, isto é, tudo que seja de alguma maneira terrível ou relacionado ao terror constitui uma fonte do sublime” (BURKE apud Seligmann-Silva:2005).

Arranhões e cera quente para a fotografia, faz a face envelhecida, cuidados de sensibilidade atormentada pela guerra, transferida da lente para o filme e para a revelação abaixo dos pés do oficial. O fotógrafo faz intervenções tanto nos negativos quanto nos corpos e vai poluindo, desgastando, desfocando; etapas agressivas necessárias para o efeito final.


Woman once a Bird

O feio ajuda despertar o horror que é necessário para a experiência do sublime e do abjeto, que se transferem na modernidade. O hermafrodita, o obeso mórbido, o aleijado, o mutilado, amordaçado, desfigurado, compõem esta galeria de modelos posando em cenários românticos e mórbidos. Embora os grandes pintores da história buscavam limpar a postura artificial de seus modelos, Witkin parece perseguir o personagem artificial de um modelo vivo, ou morto. São de fato dramas num palco forjado. O teatro do necrotério sadomasoquista representa imagens conhecidas.


Leda

A mitologia é também tema freqüente neste teatro freak.



Satiro

À medida que a forma determina a realidade, o corte ou a deformidade passa a ser a representação do absurdo, do desastre. Neste ponto, o olho do artista desvela as imperfeições buscando nas formas carnavalescas e até circenses do horrendo, provocar o tão desejado sentimento sublime por onde a arte transita livremente.
No ensaio intitulado o Inumano, Lyotard diz que “as imperfeições e distorções do gosto e até da feiúra têm seu espaço no efeito chocante. Arte não imita a natureza, ela cria um mundo à parte (...) o monstruoso e o deformado têm seus direitos porque podem ser sublimes” (LYOTARD, 1991:97).
Por outro lado, vem a obsessão pela purificação do abjeto. Uma certa perseguição pela salvação destas almas danadas na blasfêmia. A boa piedade alheia, jogaria-se ao limbo para ser a luz dos que vivem no breu do castigo divino. No ensaio, O Local da Diferença, Marcio Seligmann-Silva explica que contra Platão, “Aristóteles afirmava que a mímeses trágica tem o poder de depuração das emoções de piedade e de temor, e dentro da perspectiva da teoria poética clássica, o abalo – em termos conceituais, o movere – provocado pela representação de cenas chocantes, que geram pena e medo, poderia ter uma conseqüência tanto prazerosa quanto útil”.

Adan and Eva

Sobre o mesmo tema, Kristeva argumenta que “as várias maneiras de purificar o abjeto – as várias catarses – compõem a história das religiões e acabam com a catarse por excelência que é a arte, de lados, tanto longe quanto próximos da religião.” Por este mesmo prisma, as experiências artísticas que são enraizadas pelo abjeto, se expressam e pelos mesmos símbolos acabam se purificando o que parece um componente essencial da religiosidade, a redenção. Pessoalmente, vejo esta tentativa na fotografia de Witkin. Não na perspectiva que tange a moral religiosa, mas pela óptica de sacralizar o profano via busca da beleza e também profanar o sagrado, via citação. Meramente como trabalho artístico.




Glass man

Quando Witkin esteve no México trabalhando na imagem “Homem de vidro”, encontrou dificuldades em encontrar o corpo ideal. Após três tentativas, o quarto corpo que lhe trouxeram era o de um punk, única informação que teve sobre ele. Teria que saber-lhe ao menos a causa da morte e foi junto de seu intérprete ao necrotério para a autópsia. Os dois, observando atentamente todo o procedimento, notaram que abandonado na mesa, o corpo autopsiado e suturado, começa a mudar. Conta Witkin em entrevista com Michael Sand da revista World Art /96: “Ele está na mesa e começa a se transformar. Volto-me para falar com meu intérprete que é um homem muito inteligente, e ambos vimos o mesmo. E ele me disse: “estão fazendo o juízo dele neste momento”. De repente deixou de ser um punk. Diante de nossos olhos sofreu esta transformação na mesa de autópsia. (...) Quando me devolveram, coloquei-o numa cadeira e tirei algumas fotos ali sentado. Logo passei uma hora e meia com ele até que o vi como São Sebastião. Parecia uma pessoa elegante. Seus dedos, eu juro, haviam crescido 50%. Eram elegantes. Eram os dedos mais alongados que jamais havia visto em um homem. Parecia que desejavam alcançar a eternidade”.


Joel-Peter Witkin começou a fotografar aos dezessete anos, quando resolveu fazer o retrato de um rabino que afirmava ter visto e conversado com Deus. Desde muito pequeno, sempre incentivado pelo pai que lhe mostrava fotos “estranhas” de revistas. Entre as várias experiências incomuns foi o exército com a missão de documentar as mortes acidentais ocorridas nos treinamentos militares.
Recebeu o titulo de Master of Arts pela Universidade do Novo México em 1976.
Quando fez sua primeira exposição individual em 1980, em Nova York, recebeu elogios extremados pela profundidade temática de sua obra, calcada nos temas da dor e da morte e apoiada por referências clássicas. Mas também foi atacado como sensacionalista, despudorado, blasfemo e outros adjetivos menos respeitáveis. Hoje vive e trabalha em Albuquerque – Novo México.












































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Wednesday, September 05, 2007


Estamos no espaço rejeitado, querendo estar em outro lugar. Gota d'agua na minha boca. Sinto meu lugar com o poder do corpo. Este mesmo que nos enclausura. Mais um gole. Sede eterna de todas as gargantas. Caixa de Kellogg's no chão, caixa do presente, da surpresa, caixa do resto. Está tudo abandonado ao chão do apartamento de um quarto no cortiço central do coração dela. E cada caveira que foi uma vida, pronuncia seu nome esmagado entre os dentes de maxilares imóveis. Todos iguais. Guardam as cinzam que serei um dia. Hei de me libertar desta morada inóspita. Corpo, caixa, coração.
Kasimir MALÉVITCH 1878-1935
Composition : Blanc sur blanc, 1918 ?